Mostrando postagens com marcador Clássicos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Clássicos. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Rachmaninov - Etude-Tableau in D minor, Op.33 Nº 4

Esta aí uma das coisas mais belas que eu já ouvi... 

Sergei Vasilievich Rachmaninoff foi um compositor, pianista e maestro russo, nascido em 01º de abril de 1873 na cidade de Semyonovo, noroeste russo, que - por puro merecimento - entrou para a galeria dos últimos grandes expoentes do estilo romântico da música clássica europeia.

Para os pianistas, tocar as obras de Rachmaninoff é uma verdadeira odisseia. Com trejeitos únicos e mãos enormes capazes de executar movimentos que muitos nem conseguem imaginar, suas composições fizeram história e admiradores pelo largo das décadas.

Sua vida foi a música, uma amiga devotada, uma amante inseparável... tanto é assim, que reza a lenda que nos momentos finais antes de sua morte, em 20 de março de 1943, Rachmaninoff insistia em afirmar que podia ouvir música tocando em algum lugar por perto, enquanto os presentes lhe asseguravam que não era o caso. Convencido, por fim ele declarou: "então a música está na minha cabeça!". E devia mesmo estar, pois após uma vida dedicada à música, não seria justo ser por ela abandonado logo em seu leito de morte.

Agora, imagine-se em um dia qualquer da sua vida, em uma viagem qualquer, satisfeito da vida... de repente, não mais que de repente, você acaba entrando - por pura curiosidade - em uma sala e se sentando em uma plateia bem intimista, poucas cadeiras, poucas pessoas, porta fechada, seu amor, um piano e um pianista... 

É tudo surpresa: em uma ruela escondida um grande espetáculo! Você sentado e essa música ressoando pela sala... êxtase de satisfação... Foi assim que me apaixonei pelo Etude-Tableau in D minor, Op.33 Nº 4. Numa tarde qualquer, em uma rua qualquer de uma linda cidade qualquer... 

Um raro momento no paraíso...

Feche os olhos e aproveite!!!

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Domingo com Lutoslawski... quebra tudo meu cumpadiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii...

Domingo passado resolvemos assistir a um concerto da Orquestra Sinfônica da USP (OSUSP) lá na Sala São Paulo, antiga Estação Júlio Prestes, um lugar lindo de dar gosto.

Como sempre, encontramos alguns espécimes bem peculiares [não tanto como nos concertos da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP) - nesses sim dá pra ver as velhas senhoras - aquelas que já morreram mas esqueceram de deitar no caixão - perambulando com todas as joias da família no pescoço].

Enfim, é sempre interessante ver a elegância - e também a falta de - do pessoal que frequenta esses concertos. Dependendo do dia da semana, aquilo pode parecer um desfile de coisas raras, ou pior...

Chopin
Mas enfim, deixando os frequentadores de lado, o Concerto, sob a regência do Maestro Wagner Polistchuk, apresentou peças de três poloneses: Frederic Chopin (1810-1849), Jan Ignace Paderewski (1860-1941) e Witold Lutoslawski (1913-1994). 

A primeira peça: Frederic Chopin. Polonaise, Op. 40, nº 01 em Lá Maior, Militar, 04', composta em 1838. Das três, a peça de Chopin - a mais antiga e mais curta - tinha um ar mais animado, quase Disney. Violinos e violoncelos ressoando harmonicamente pelo salão. Leveza e alegria em notas musicais. Me senti dentro daqueles desenhos que povoaram nossa infância, princesas em longos vestidos, castelos encantados, príncipes, pássaros risonhos e sapos saltitantes por entre bosques coloridos. Um alento aos ouvidos.

Paderewski
A segunda peça: Jan Ignace Paderewski. Concerto para piano em Lá Menor, Op. 17, 33', composta em 1888. O solista convidado foi o premiado Marian Sobula, um polonês bonachão de feições sorridentes. Apesar do brilhantismo do pianista, essa peça fez muitas pessoas desistirem de continuar no concerto. Depois do intervalo, vários dissidentes foram encontrados saindo do prédio. Uma peça devagar quase parando, que tirou muitos bocejos dos presentes [inclusive meus, muitos meus na verdade]. Foi agradável, mas sonolento...

No intervalo fomos obrigados a recorrer ao bom e velho café expresso. Nesse momento eu estava um pouco preocupada, afinal estávamos exatamente no meio da terceira fila - nas barbas do maestro, e nesse local qualquer cochilo pode ser facilmente notado pelos concertistas, atitude completamente contrária à boa etiqueta... e sinceramente eu não estava querendo dar um show à parte com roncos lancinantes em dó maior sustenido.

Lutoslawski
Mas enfim começou a terceira peça: Witold Lutoslawski. Concerto para Orquestra, 20', composta entre 1950 e 1954. Já de início, deu para notar que quem foi embora perdeu muito. De longe, essa foi a surpresa da noite. De repente estávamos dentro de uma alucinante perseguição policial. Dava para fechar os olhos e ver nitidamente, como num filme, aquela ação toda se desenrolando dentro da sua cabeça. Algum aflito tentando, desesperadamente, esconder-se dentro da mata. Escuridão. Almas atormentadas. Perturbação. Em alguns momentos cheguei a ficar sem fôlego. Se alguém se atrever a fazer um filme baseado nesse concerto, será sucesso na certa. Era tudo tão incrível e retumbante, que foi difícil não se assombrar e adorar.

Houve momentos em que tive certeza, Lutoslawski queria judiar dos instrumentos. Acho que enquanto compunha esse concerto, ele pensava: Agora é pra quebrar tudo!!!

Uma hora pensei que o pessoal do violoncelo iria levantar e quebrar os instrumentos como os roqueiros enlouquecidos. Os violinos não ficaram atrás. Até a crina do arco de um deles arrebentou. O pessoal da percussão então... pareciam que iriam furar os tambores. Bum, bum, buuuuuummmmmm.

Incrível!!! Dava gosto de ver e escutar...

Imagino que para os músicos deva ser uma verdadeira provação tocar uma peça desse estilo [contemporâneo segundo me disseram]. 

No saldo geral, Lutoslawski deu um show sim senhor, coisa linda de ver...

Só sei que quem não foi, devia ir... é de arrepiar os pelinhos da nuca.


.
Related Posts with Thumbnails