(Debaixo da chuva torrencial de São Paulo)Metafísica é um ramo da Filosofia que estuda a essência do mundo, que busca os princípios e as causas fundamentais de tudo, tratando de questões que, em geral, não podem ser confirmadas pela experiência direta. Podemos até dizer que a Metafísica é o estudo da realidade. As perguntas que ela tenta responder são: o que é real?; o que é natural?; o que é sobrenatural?; o que é verdade? e afins. Willian James (psicólogo e filósofo norte-americano, 1842/1910), definiu a Metafísica como "apenas um esforço extraordinariamente obstinado para pensar com clareza". Mas aí, o que é pensar com clareza? Alguém sabe?
Pois é, difícil definir isso, mas segundo dizem os entendidos no assunto, a Metafísica não se interessa pelos "comos" da vida (como se faz isso, como se faz aquilo), e sim pelos "porquês" existenciais, pelas questões que podem facilmente jamais ser formuladas durante uma vida inteira. É diante desse conceito que os metafísicos entendem ser provavelmente válido afirmar que o fruto do pensamento metafísico não é o conhecimento, mas o entendimento.
Até aí tudo bem, mas qual é a origem da palavra "Metafísica"? Para descobrirmos sua origem, teremos que voltar há anos e anos antes de Cristo, alí entre 384 a.C. e 322 a.C, na época em que aquele rapaz, o Aristóteles, era vivo. Pois é, conta a lenda que a origem da palavra "Metafísica" é atribuída a Aristóteles e Andrônico de Rodes.
Até aí tudo bem, mas qual é a origem da palavra "Metafísica"? Para descobrirmos sua origem, teremos que voltar há anos e anos antes de Cristo, alí entre 384 a.C. e 322 a.C, na época em que aquele rapaz, o Aristóteles, era vivo. Pois é, conta a lenda que a origem da palavra "Metafísica" é atribuída a Aristóteles e Andrônico de Rodes.
Veja só que interessante, na verdade Aristóteles nunca utilizou essa palavra, nunquinha, mas escreveu temas relacionados a physis (física)¹, e sobre temas relacionados à ética e à política, entre outros. Aí, Andrônico, como bom homem metódico que era, ao organizar os escritos de Aristóteles, o fez de maneira a distinguir os dois temas, fazendo com que os relacionados com physis viessem antes dos outros. Assim, esses outros assuntos vinham além da física (meta = depois, physis = física), atribuindo a Metafísica a algo intocável, que só existe no mundo das ideias, ou seja, tudo que transcende a física.
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¹ Segundo os filósofos pré-socráticos, é a matéria que é fundamento eterno de todas as coisas e confere unidade e permanência ao Universo, o qual, na sua aparência é múltiplo, mutável e transitório.
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¹ Segundo os filósofos pré-socráticos, é a matéria que é fundamento eterno de todas as coisas e confere unidade e permanência ao Universo, o qual, na sua aparência é múltiplo, mutável e transitório.
Pois bem, agora evoluindo ainda mais na história, vê-se que a Metafísica nunca foi uma ciência tranquila, isso porque Aristóteles examinou a natureza do ser em geral e não de suas formas particulares, postulando a ideia de deus como substância fundamental. Já Platão entendia que a Filosofia era a única ciência capaz de atingir o verdadeiro conhecimento, e que por meio da dialética o filósofo aproximava-se das ideias puras, como a verdade, a beleza, o bem e a justiça.
Então na Idade Média, a Metafísica confundiu-se com a teologia, e é nesse contexto que Tomás de Aquino afirmou que a Metafísica estudava a causa primeira, e, como a causa primeira era deus, deus era o objeto da Metafísica (silogismo puro e simples, que pode, ou não, partir de premissas verdadeiras).
Depois disso, na Idade Moderna, a experiência passa a ser extremamente valorizada e a Metafísica, com deus como objeto, deixa de ser considerada a base do conhecimento filosófico. A partir de então, David Hume disse que o homem estava completamente submetido aos sentidos, portanto, não poderia criar ideias, não sendo possível formular nenhuma teoria geral da realidade. Para ele, ciência alguma seria capaz de atingir a verdade, sendo seus conhecimentos sempre probabilidades, e apenas isso.
No século XVIII, Immanuel Kant afirmou que o domínio da razão e o rigor científico poderiam recriar a Metafísica como conjunto dos conhecimentos provenientes apenas da razão, sem utilizar dados da experiência. Nesse sentido, a Metafísica de Kant reduzia-se ao estudo das condições e limites do conhecimento, sem vinculação à ideia de deus como substância fundamental.
Já no século XIX, o positivismo de Augusto Comte colocou a Metafísica como uma ciência superada. Segundo ele, a história da humanidade (e, por analogia, o conhecimento humano), passou por três períodos: o teológico, o metafísico e o positivo, ou científico, sendo que este último seria considerado superior aos anteriores.
Aí no século XX, o filósofo Martin Heidegger fez uma revisão da história da Metafísica e sustentou que ela confundia o estudo do ser, o verdadeiro objeto da filosofia, com outros temas, como a ideia, a natureza, deus e a razão, motivo pelo qual tais equívocos deveriam ser superados.
Assim, vemos que a Metafísica em si, como entendida atualmente, nada tem a ver com religião, o que não impede sua influência nos preceitos religiosos. A exemplo disso podemos citar que caso a teoria metafísica do materialismo fosse verdadeira, sendo um fato que o homem não tem alma, então grande parte da religião sucumbiria, demonstrando assim a influência da Metafísica na religião.
Veja que embora a Metafísica seja sim o estudo da essência do mundo, não podemos dizer que ela explique os preceitos religiosos, que, na verdade, não possuem vinculação direta com os conhecimentos metafísicos, tais quais como hoje conhecidos. A religião pode até se utilizar confortavelmente de algumas "verdades" metafísicas, mas a recíproca não é verdadeira.
Assim, explicar que tal coisa é como é porque deus o quis assim, não explica nada, e jamais poderá ser classificado como um exercício metafísico, como alguns pretendem afirmar, sendo, quando muito, uma forma preguiçosa de explicar algo sem bases sólidas.
O que já nos leva a outros assuntos que agora estou com preguiça de escrever... mas enfim, o que eu queria mesmo era desvincular a metafísica da religião, que são coisas completamente distintas, mas que constantemente são confundidas pelos incautos do caminho... que têm todo o direito de discordar disso... que fique bem claro...
E por hoje é só...
PS. Algumas palavras foram grafadas com letras minúsculas de propósito.
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Aí no século XX, o filósofo Martin Heidegger fez uma revisão da história da Metafísica e sustentou que ela confundia o estudo do ser, o verdadeiro objeto da filosofia, com outros temas, como a ideia, a natureza, deus e a razão, motivo pelo qual tais equívocos deveriam ser superados.
Assim, vemos que a Metafísica em si, como entendida atualmente, nada tem a ver com religião, o que não impede sua influência nos preceitos religiosos. A exemplo disso podemos citar que caso a teoria metafísica do materialismo fosse verdadeira, sendo um fato que o homem não tem alma, então grande parte da religião sucumbiria, demonstrando assim a influência da Metafísica na religião.
Veja que embora a Metafísica seja sim o estudo da essência do mundo, não podemos dizer que ela explique os preceitos religiosos, que, na verdade, não possuem vinculação direta com os conhecimentos metafísicos, tais quais como hoje conhecidos. A religião pode até se utilizar confortavelmente de algumas "verdades" metafísicas, mas a recíproca não é verdadeira.
Assim, explicar que tal coisa é como é porque deus o quis assim, não explica nada, e jamais poderá ser classificado como um exercício metafísico, como alguns pretendem afirmar, sendo, quando muito, uma forma preguiçosa de explicar algo sem bases sólidas.
O que já nos leva a outros assuntos que agora estou com preguiça de escrever... mas enfim, o que eu queria mesmo era desvincular a metafísica da religião, que são coisas completamente distintas, mas que constantemente são confundidas pelos incautos do caminho... que têm todo o direito de discordar disso... que fique bem claro...
E por hoje é só...
PS. Algumas palavras foram grafadas com letras minúsculas de propósito.
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