quinta-feira, 28 de julho de 2011

O Socialismo funcionaria ???



Pensando sobre esse assunto, descobri uma experiência socialista realizada em 1931 por um professor da Universidade do Texas  Tech que disse nunca ter reprovado um só aluno antes, mas que havia, uma vez, reprovado uma classe inteira.

Essa classe em particular havia insistido que o socialismo realmente funcionava: ninguém seria pobre e ninguém seria rico, tudo seria igualitário e 'justo'.

O professor então disse: "Ok, vamos fazer um experimento socialista nesta classe. Ao invés de dinheiro, usaremos suas notas nas provas."

Todas as notas seriam concedidas com base na média da classe, e portanto seriam 'justas'. Isso quis dizer que todos receberiam as mesmas notas, o que significou que ninguém seria reprovado. 


Isso também quis dizer, claro, que ninguém receberia um "A"...

Depois que a média das primeiras provas foi tirada, todos receberam "B". Quem estudou com dedicação ficou  indignado, mas os alunos que não se esforçaram ficaram muito felizes com o resultado.  Quando a segunda prova foi aplicada, os preguiçosos estudaram ainda menos - eles esperavam tirar notas boas de qualquer forma. Aqueles que tinham estudado bastante no início resolveram que eles também se aproveitariam do trem da alegria das notas. 

Portanto, agindo contra suas tendências, eles copiaram os hábitos dos preguiçosos. Como um resultado, a segunda média das provas foi "D".

Ninguém gostou.


Depois da terceira prova, a média geral foi um "F".

As notas não voltaram a patamares mais altos, mas as desavenças entre os alunos, buscas por culpados e palavrões passaram a fazer parte da atmosfera das aulas daquela classe. A busca por 'justiça' dos alunos tinha sido a principal causa das reclamações, inimizades e senso de injustiça que passaram a fazer parte daquela turma. No final das contas, ninguém queria mais estudar para beneficiar o resto da sala. Portanto, todos os alunos repetiram o ano... para sua total surpresa.


O professor explicou que o experimento socialista tinha falhado porque ele foi baseado no menor esforço possível da parte de seus participantes. Preguiça e mágoas foi seu resultado. Sempre haveria fracasso na situação a partir da qual o experimento tinha começado."Quando a recompensa é grande", ele disse, "o esforço pelo sucesso é grande, pelo menos para alguns de nós. Mas quando o governo elimina todas as recompensas ao tirar coisas dos outros sem seu consentimento para dar a outros que não batalharam por elas, então o fracasso é inevitável."


"É impossível levar o pobre à prosperidade através de legislações que punem os ricos pela prosperidade. Cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber. O governo não pode dar para alguém aquilo que não tira de outro alguém."


Quando metade da população entende a ideia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação.


É impossível multiplicar riqueza dividindo-a."


Adrian Rogers, 1931

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Feriadão abençoado!!!


Impressionante como os dias que antecedem feriados são tensos! É uma loucura generalizada. É o trabalho da semana inteira que precisa ser feito em uma quantidade menor de dias, são os preparativos de viagens, é o trânsito maluco da cidade grande...

Todos parecem enlouquecer momentaneamente para depois gozar do merecido descanso.

Minha semana foi um inferno, trabalho atrás de trabalho, muita coisa, pouco braço... Stress, colegas de trabalho derramando lágrimas de tensão... Uma loucura, mas hoje a calmaria... ouvindo música até a madrugada, acordando a hora que quiser (apesar de eu ter acordado 7:23h - o corpo pediu)...

Não quero fazer inveja, mas hoje farei ovos de páscoa artesanais. Vamos para a casa da sogra picar e derreter chocolate, depois jogar nas formas, colocar na geladeira, esperar endurecer, embalar e comer... ui ui ui... que coisa boa.

Chega de pós-graduações por esses dias, penso nisso na semana que vem. Nos próximos 4 dias quero descansar, relaxar, ouvir música, comer chocolate, passear... 
  
Alguém tem alguma sugestão melhor???

quarta-feira, 9 de março de 2011

Mil desculpas . . .

Ultimamente tenho andado tão atarefada, que mal me sobra tempo para escrever no blog... são muitas ideias, mas pouco tempo para colocá-las em prática... imperdoável...

Agora sei que ficará ainda mais complicado, em razão de duas pós que inventei de fazer, mas mesmo assim tentarei me redimir... 

Vamos que vamos pessoal... agora não tem mais desculpa, o carnaval acabou e o Brasil começa a funcionar... Será?



.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

sábado, 1 de janeiro de 2011

I am The Eggman . . . I am the Walrus . . .

Uma das músicas mais incoerentes e desajeitadas dos Beatles é também uma das que mais me fazem lembrar meus agitados dias em solo germânico.

Essa música é um exemplo de que de falta de criatividade não morreu John Lennon, e com ele, o seu inseparável companheiro de cadeira, Paul McCartney (que continua vivinho da silva fazendo shows por aí), pois a música é simplesmente uma junção não de duas, mas de três ideias do Cabeça dos Beatles, enquanto pessoas se estapeam por meia ideia.

A primeira surgiu quando Lennon ouviu, em sua casa de Weybridge, uma distante sirene de polícia e pensou na seguinte frase: "Mis-ter c-ity police-man" no ritmo da sirene. A segunda veio de uma melodia pastoral sobre seu jardim em Weybridge. E a terceira, mas não menos importante, era uma canção nonsense sobre sentar em um cereal de milho.

Quarry Bank Scholl
Mas essas ideias somente transformaram-se em música depois que um aluno da sua antiga escola Quarry Bank Scholl enviou-lhe uma carta mencionando que seu professor de inglês estava analisando as músicas dos Beatles em classe. O fato divertiu Lennon, até porque nessa mesma escola, certa vez, disseram-lhe que ele não iria a lugar nenhum, motivo pelo qual Lennon decidiu confundir as pessoas com uma música cheia de sinais desconcertantes e incoerentes.

O Beatleman começou a inventar imagens absurdas como "semolina pilchards ascending the Eiffel Tower", "elementary penguins singing Hare Krishna" e a inventar palavras sem sentido como "texpert", "crabalocker", antes de começar a juntar os versos de abertura escritos numa viagem de ácido.

Então, depois de pronta Lennon disse "Let the f*ckers work that one out". Quanta espirituosidade!?!?

A morsa e o carpinteiro
Pois bem, avançando no sentido de tão incoerente canção, descobre-se que "The Walrus" (a morsa) veio do poema de Lewis Carroll, "The Walrus and The Carpenter" do livro "Through The Looking Glass". E que o "Eggman" é, supostamente, uma referência ao vocalista do The Animals, Eric Burdon, mas essa parte deixa pra lá...

O que eu sei é que sempre que escuto essa música, imagens que nada tem a ver com os pensamentos de Lennon ao fazer a canção pipocam dentro da minha cabeça (policeman, eggman, english garden, cornflake, g´joob, Eiffel Tower, all together, waiting for the sun, choking smokers, joker...), fazendo-me lembrar com alegria, e até mesmo saudade, daqueles desconcertantes dias em solo tudesco.


I Am The Walrus
The Beatles (Lennon/McCartney)

I am he
As you are he
As you are me
And we are all together

See how they run like pigs from a gun
See how they fly
I'm crying

Sitting on a cornflake
Waiting for the van to come
Corporation tee shirt
Stupid bloody tuesday
Man, you've been a naughty boy
You let your face grow long

I am the eggman
They are the eggmen
I am the walrus
Goo goo g'joob

Mister city
Policeman sitting
Pretty little
Policemen in a row
See how they fly like lucy in the sky
See how they run
I'm crying (4x)

Yellow matter custard
Dripping from a dead dog's eye
Crab a locker fishwife
Pornographic priestess
Boy, you've been a naughty girl
You let your knickers down

I am the eggman
They are the eggmen
I am the walrus
Goo goo g'joob

Sitting in an english garden, waiting for the sun
If the sun don't come you get a tan
From standing in the english rain

I am the eggman
They are the eggmen
I am the walrus
Goo goo g'joob

Expert texperts choking smokers
Don't you think the joker laughs at you?
See how they smile like pigs in a sty
See how they snide
I'm crying

Semolina pilchard
Climbing up the eiffel tower
Elementary penguin
Singin' hare krishna
Man, you should have seen them
Kicking Edgar Allan Poe

I am the eggman
They are the eggmen
I am the walrus
Goo goo g'joob








Feliz 2011 !!!

domingo, 19 de dezembro de 2010

E a Guerra Civil Espanhola, alguém sabe o que aconteceu?

A república espanhola surgiu a partir da queda da monarquia, que hoje é uma espécie de figura decorativa no país. Por causa da crise econômica que assolava o mundo no início do século XX, a situação por lá não era das mais confortáveis.

Na verdade, de confortável não tinha nada. Era o caos, greves, combates de rua e excessos anticlericais da Frente Popular de esquerda aconteciam a todo momento. O general Franco, militar antirepublicano, que nesta época estava no Marrocos, decidiu que era hora de agir. Assim, colocou sua farda fascista, inflamou suas tropas e, com ajuda da Alemanha e Itália, invadiu a Espanha ocupando metade do país.

Seu objetivo era chegar em Madrid, o que lá pela segunda metade da década de 30, sem os carros potentes de hoje em dia, devia ser bem complicado. Franquinho até que estava indo bem, porém, ele não contava com a astúcia de quem? De quem? De quem??? Do Chapolin Colorado??? Nãooooo... Dos soviééééticos, que cortaram o seu barato. 

Os populares amedrontados notaram que as forças republicanas da época eram uma verdadeira piada. Por isso, resolveram fazer algo contra o fascismo. Montaram comitês locais de defesa dos próprios operários e camponeses, que tinham como líderes anarquistas, socialistas ou comunistas, dependendo da região.


Devia mesmo ser no mínimo interessante ver toda essa movimentação. 

Mas acontece que os comitês começaram a exagerar na dose, assassinando violentamente tudo o que passava pela frente, sob a desculpa de serem todos seus opositores. Eles espalhavam medo e terror por onde quer que passassem, aterrorizando principalmente as igrejas (*).

Com essa bagunça toda, enquanto a barbárie se intensificava, o governo liberal da época foi substituído pela coalizão social-comunista. Até o poeta García Lorca foi vítima deste descontrole nacional. 

A primeira parte do século XX realmente foi uma época conturbada. Por isso, os imigrantes, intelectuais, democratas e literatos ocidentais, frustrados pela impotência da democracia diante de Hitler e Mussolini, vislumbraram aí uma oportunidade de combater o fascismo pessoalmente, ingressando nas brigadas internacionais apoiadas pelos republicanos.

A história sobre a Guerra Civil Espanhola relata a crueldade da epopéia antifascista, repleta de mortes, torturas, medo, diversidade, idealismo e amor pela Espanha.

Um dos livros mais famosos sobre o assunto foi o romance de Ernest Hemingway, Por quem os sinos dobram, que eu ainda não li, mas que está na minha lista há muito tempo.

Franco, no final, ganhou a guerra com a ajuda da Alemanha e da Itália. Os Alemães eram os mais entusiasmados, fornecendo uma première de horror e desolação, da qual eles mesmos foram vítimas um tempinho depois, no final da 2ª Guerra Mundial, em escala milhões de vezes maior.

Os Alemães, simpáticos como eles só, bombardearam a cidade basca de Guernica somente para que seus pilotos adquirissem um pouco de experiência prática... afinal, só na teoria ninguém aprende nada, não é mesmo???

Picasso, impressionado pelo ocorrido, documentou essa atrocidade no quadro Guernica


Meu pai ainda não era nascido nesta época, ele veio ao mundo bem no finalzinho da 2ª Grande Guerra e diz que a comida européia do período era muita batata, repolho e ovo... : (
   

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Nos tempos do professor Tibúrcio...

Há tempos não entrava no tal do Twitter para ler todas aquelas mensagens de até 140 caracteres. Mas essa semana resolvi ler e encontrei algo que mereceu um post...

Li a seguinte afirmação, cuja autoria decidi não revelar:
"Acho infinitamente melhor ser criança hoje do que na minha época, na dos meus pais ou dos meus avós. Sem comparação!"
Pois é, ser criança nos dias de hoje deve mesmo ser melhor do que na nossa época, na época de nossos pais e dos nossos avós, pois é tanta liberdade que as crinças hoje podem bater nos professores, dar facadas nos coleguinhas, levar arma de fogo na hora do recreio e ninguém acha que é o fim dos tempos...

Deve mesmo ser melhor crescer nos dias de hoje, quando se tem tanta variadade de brinquedos que não se sabe dar valor ao que se tem... quando as crianças recebem aquela lembrança, olham pra tua cara, não falam obrigado e abandonam o brinquedo 2 segundos após.

Definitivamente, é melhor ser criança hoje, pois os pais, não querendo a preocupação de educar uma alma nova, deixam o bambino 15 horas por dia na frente do Nitendo Wiiiiiii ou do computador.

É absolutamente correto afirmar que é melhor ser criança hoje, quando esses pequeninos sequer sabem o que é respeito aos mais velhos!!!

É mesmo muito melhor ser criança hoje, quando ninguém brinca mais na rua, é perigoso! Pega-pega, esconde-esconde, queimada, barra-manteiga, roba-monte, roba-bigode, taco, vôlei, mês, sela, patins e mais tantas outras brincadeiras estão sendo esquecidas para dar lugar a nintendos, guitar-heroes, psp's e sei lá mais o quê. As crianças presas dentro de casa com seus brinquedinhos particulares, sozinhas, individualistas, egoístas e desatentas.

Ele deve ter razão quando diz que é melhor ser criança hoje, quando pais negligentes fazem todas as vontades do bambino só para se livrar da responsabilidade de dizer não e presenciar aquele ataque de choro ou de fúria dos pequenos chantagistas. "Dá logo o que ele quer, assim ele não chora e eu fico feliz por mais 5 minutos".

Educar pra quê??? Se é mais fácil comprar o silêncio!!!.

É, acho que o autor daquela frase sabe mesmo muito bem o que está dizendo!!!




domingo, 12 de dezembro de 2010

Diário de Bordo Humorista... Deixando os alemães... Encontrando os franceses...

Gente!!!! Essa semana eu achei uma parte do meu diário de bordo... Foi o relato fiel do dia em que me mudei da Alemanha para a França... Eu nem lembrava que tinha escrito isso, quando vi, nem acreditei... Quase caí de dar risada...

Para vocês entenderem, eu fiz minha mudança em março de 2008, num ônibus de viagem, foram mais de 19 horas sentada... aconteceram coisas hilárias...

A título de esclarecimento, vai a legenda: Os "Back Street Humoristas" são os amigos que deixei em solo alemão: Srdjan (o nome dele é assim mesmo, ele é da Sérvia), Pedrinho, Jujú e Clara. A bailarina é uma brasileira que conheci em Düsseldorf e que dança no balé da cidade. Guitarrista desafinada sou eu. Marrocano é marroquino. Dom é a enorme categral de Köln (Colônia). Feuerwehr é bombeiro em alemão e Autobahn é estrada... e acho que isso é tudo... 

Pois bem, e assim foi o meu relato:

Pedrinho:verde;Jujú:azul;Clara:vermelho;Srdjan:preto;e eu
Na hora da partida começou o meu calvário... os “Back Street Humoristas” preocupados com a possibilidade da guitarrista desafinada mudar de idéia. Suor escorrendo pelos colarinhos e eles pensando, rezando, suplicando: “Será que ela vai mesmo?!? Será que existe o perigo dela voltar?!?”.

Calma, amiguinhos... Não será necessário fazer novenas, pedir milagres para Santo Expedito, ir a terreiros de macumba, nem fazer despachos... Eu fui mesmo!!!

Primeira parada: Köln para trocar de balaio. Mas que lixo de Rodoviária, nem me atrevi a sentar nos minúsculos banquinhos laranja, por medo de contrair a febre amarela, a febre verde, a febre roxa ou o que podia ser pior, a febre laranja!!!

Sei lá, né?!? Cada dia aparece uma doença nova... Deus que me livre!!!

Enquanto eu divagava com a possibilidade de contrair a peste negra, passaram-se infinitos 50 minutos. De onde eu estava só conseguia avistar a pontinha do Dom e sentir meu pé doendo por causa da minha maldita bota de €4,95. Isso que dá ser chique, a bota parece que está mastigando o seu pé!!!

Bem, voltamos para o balaio e como num ônibus de viagem não existe nada melhor do que dormir para esquecer a situação decadente em que se encontra, todo mundo começou a se arrumar nas cadeiras, esticar as pernas (na medida do possível), improvisar travesseiros e por aí vai... Como não sou exceção, eu também.

Estou eu lá, pensando na morte da bezerra quando, de repente, não mais que de repente, alguém solta um discreto “pum”... ai, ai, ai... Com certeza o elemento deve ter comido um leitão inteiro no dia anterior... Que fedô!!! Em meio àquele cheiro de urubu em estado de putrefação eu pensei: “Ai meu Deus!!! Agora é o meu fim!!! E a catinga aumentando... Então, já tonta e em completo desespero supliquei: “Oh! E agora, quem poderá me ajudar???”

Esperei, esperei e nada do Chapolin Colorado chegar com a máscara de gás... que decepção!!!!

Poxa! Tinha que colocar uma rolha na retaguarda do indivíduo. Será que esse elemento não tem mais pregas??? Pelas barbas do profeta!!! Isso é um perigo, pode matar uma pessoa.

Juro, eu já queria declarar a 3ª. Guerra Mundial e trucidar todo mundo naquele ônibus... Mas será o Benedito???

Depois que aquele “furdunço” abrandou... ou que nós nos acostumamos com a fedorama, no banco de trás um tiozinho começou a tossir desesperadamente, aquela tosse catarrada... que beleza!!!

Nem se eu tivesse tomado uma caixa inteira de Valium eu conseguiria dormir.

E se já não fosse suficiente, duas alemãezinhas começaram a tagarelar animadamente sobre um monte de bobagens!!! Às vezes, como fazem falta as bombas atômicas...

Parecia muito com esse aí...
Lá pelas duas da manhã paramos no meio do nada francês. Decidi ir ao banheiro... uma verdadeira aventura!!! Logo na primeira cabine tinha aquele buracão no chão que dizia: “Tente fazer pipi aqui... eu vou te pegar!!!”. Como fazer as necessidades naquilo??? Sorte que tinha o de deficientes. Fingi que estava mancando e marchei pra lá... eu é que não iria me arriscar a cair naquele buraco, já pensou que humilhação?!?

Chegamos a Tours 05h55min da manhã (acho que vou jogar no bicho: 55 no cavalooooooo!!!!), eu ainda torta de sono escuto aquela tão temida frase em alemão “Troca de balaio”... 

Nãoooooooooooooooooooooooooooooooo!!!

E pra carregar aquela porcariada toda?!? Nenhuma santa alma se prontificou a me ajudar... ninguém... ninguenzinho!!! Que dificuldade... No bagageiro já levei uma cotovelada no olho, que além de me acordar de vez, me fez pensar que tinha quebrado os óculos.

Depois todo mundo teve que ir ao Bureau pegar um cartão branco, e haja força pra carregar toda aquela tralha. Ordenei pra mim mesma: “Força na peruca humorista!!!”

Então começou a amanhecer e os passarinhos franceses cantando “piue, piue, piue...” com biquinho...

De repente um catarrento de uns seis anos fica preso no banheiro (aqueles que têm que colocar vinte centavos na fechadura para aliviar a natureza)... a mãe do moleque naquele desespero, fumando um cigarro atrás do outro, o fedelho gritando lá de dentro. Até escutei algo sobre Feuerwehr... Aquele circo!

Até que 15 minutos depois o guri resolve tentar abrir a porta por dentro (já que até então, ele só tinha tentado empurrar a porta), e como num passe de mágicas a porta se abre... Catarrento apronta cada uma...

O ônibus só foi sair as 07h09min da matina. Sentei novamente do lado de um marrocano, arabano ou turcano que tinha me acompanhado no primeiro balaio. Essa hora eu já estava caindo, literalmente, de sono e de dez em dez minutos acordava com a boca aberta... imagina a cena... eu dormindo com aquela bocona bem aberta e o marrocano ou sei lá o quê pensando... “nossa, não dava pra fechar a boca”... que cena!!!

Às 10h23min da manha passamos pelo 6° ou 7° pedágio do caminho (juro que já havia esquecido que eles existiam), e eu escutando o meu super-mega-hiper MP3 de 4 Gigas... aí eu escuto a frase do Chico Buarque “procurando bem todo mundo tem pereba, só a bailarina que não tem”, hahahaha... Lembrei da bailarina de Düsseldorf, será que ela tem pereba???

Para minha sorte, o ônibus parou em mais uma cidade no meio do nada e desceram mais alguns passageiros. Pude, então, ter duas poltronas só pra mim... que paraíso. Mas vocês sabem que pobre é fod... né? Só porque agora podia dormir com a bocona bem arreganhada... meu sono tinha ido embora... fiquei fula da vida.
Só me restou escutar música e admirar a paisagem, que em nada se parece com as Autobahn´s da Alemanha.

Última parada... Carrefour... me senti no Brasil. Depois que comprei um Powerade azul, para ver se melhorava o meu cansaço, voltei para o busão e constatei, tristemente, que minha retaguarda estava doída de tanto ficar sentada. A cada minuto ficava mais desesperada para sair daquela caixa de sapatos gigante. A cada placa de Toulouse, renovavam-se as minhas esperanças de sair daquela lata.

Um pouco depois um indiano que viajava no banco da frente começou a comer um sanduíche de salame. Aquele cheirão de salame invadindo a lotação. Descobri que estava faminta e que não tinha levado nada que prestasse para comer e aquele cheiro aumentando... quase pulei no salame do indiano...

O que eu diria? Mãos ao alto... eu vou seqüestrar o seu salame!!! A sorte é que eu sou chique e me controlei... caso contrário, a essa hora, o indiano já estaria sem salame!!!

Ás 14h42min o ônibus parou na Rodoviária de Toulouse... o Humorista estava lá me esperando... e finalmente pude deixar para trás pum´s, cof´s cof´s, bocas arreganhadas, seqüestro de salame e popôs doloridos...

Querido, cheguei!!!

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sábado, 11 de dezembro de 2010

Mickey Mouse e o Rockabilly Rabbit...

Há um tempinho, quando morávamos na terra do croissant, encontramos o sonho de consumo do Mickey Mouse... Com certeza ele ficaria extasiado...


Um dia, passeando sem destino pelas ruas de Toulouse, encontramos o Marché Victor Hugo, bem no centrão da cidade! Era um prédio sem graça, branco, quadrado... mas, apesar da aparente "semgraceza" do local, levados pela nossa quase inexistente curiosidade, invadimos o local.

Fomos assim, meio que sem pedir licença, e encontramos o tesouro escondido no coração de Toulouse: queijo, pão, vinho, peixe, carne de coelho topetudo, boi, carneiro, pato, perú, frango, lula, polvo, ostras, caramujos, mariscos, caranguejos, lagosta, camarão...

Era tanta coisa, que nos demoramos um bom tempo lá dentro (e voltamos inúmeras vezes depois). Uma pequena amostra do que encontramos está aqui, um pouquinho da variedade dos queijos da região...

É queijo de tudo quanto é jeito: molhado, seco, mole, duro, fedido, cheiroso, feio, bonito... É só escolher um e levar pra casa... E como eram gostosos os queijos franceses... uma delícia!!!!

Mas claro, como não podia deixar de ser, coisas estranhas tinham que acontecer...

Lá, vasculhando o Marché Victor Hugo, avistamos algo inédito aos nossos olhos, avistamos um coelho rockabilly. Não sei por que, mas parece que os franceses têm a mania de comprar o coelho inteiro (não é a coxinha, o peitinho, o rabinho não... é tudo, tudinho)... aí, fica aquele bicho lá, morto, esticado, escalpelado... na verdade não é muito bom de ver não, mas, pelo bem da ciência, nós olhamos de tudo, inclusive coelho morto, até que avistamos um coelho fora do comum, muito estiloso, cheio de marra... fashion pra dizer a verdade... 

O bicho estava lá todo peladinho, esticadinho, igual a seus amiguinhos, mas tinha um diferencial, ele tinha um baita dum topete... Lá, sozinho, bem no topo do cucuruto, estava aquele tufo de cabelo cinza... acho que foi uma das coisas mais estranhas que eu vi até hoje... Imaginem um coelho morto, bem dentuço, sem pele e com um enorme topete cinza, pois é... esse era o nosso amigo Rockabilly Rabbit...

Dele, eu não tirei foto no dia, estava despreparada, mas daquele topete eu não esquecerei jamais!!!


quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O Rio de Janeiro continua lindo...

Amanhã viajo para o Rio de Janeiro, o cartão postal brasileiro... Mas acontece que essa semana o Rio não está tão postal assim... Na verdade, ele está mais para Faixa de Gaza!!!

É Bope, Exército, Fuzileiros Navais, Comando Vermelho, ônibus e carros incendiados, Caverão, Tanque de Guerra, arrastão, bala perdida, fuga de traficantes, ocupação de comunidades...

Darei uma de matrix... quero desviar das balas igualzinho o Neo... tchunnnnnnn... tchunnnnnnn...

Pois é, mas apesar da guerra não declarada que está lá, a festa da empresa continua marcada para amanhã... Confraternização de final de ano, aquelas coisas "suuuuper bacanas" do mundo corporativo... Vamos alegrar a peãozada...

Acordarei as quatro da madruga para chegar em Congonhas as 06:40hs. Fazer check-in, achar poltrona, decolar, talvez pegar uma turbulência básica, Galeão... Tudo o que vocês já conhecem.

A sorte é que a empresa pagou tudo, mas se eu nunca mais passar por aqui, vocês já sabem o que aconteceu... com certeza, terei direito ao auxílio-funeral... hahahaha...

Assim, como reflexo das minhas possíveis últimas palavras, deixo aqui meu singelo testamento, a expressão máxima de minha última vontade na Terra:

Para o meu pai, minha mãe, meu irmão e meu marido deixo todas minhas dívidas, repartidas fraternarmente entre aqueles que mais amo!

O que sobrar... vai para caridade!!!

Declaro, para os devidos fins, estar em plena posse de minhas faculdades mentais.. e tenho dito!!!!

Hahahahaha... Até a volta... if...

domingo, 21 de novembro de 2010

A intrépida Ravenguinha - parte #2

No capítulo anterior: A intrépida Ravenguinha - parte #1


Pois bem, após a morte do Rei Diponga, Ravenguinha voltou para Tebas e encontrou seus irmãos, Eteócles e Polinice, se estapeando pelo trono. Nesse dia, ela ficou sabendo que depois da saída humilhante de Diponga da cidade, seu tio, o sisudo Creonte, assumiu o reino, tornando-se o senhor de Tebas. 

Mas Polinice, o filho emo de Jocasta, assolado por sua obesidade mórbida, não gostou nada do assunto e tramou, enquanto ouvia Restart, Fresno, Nx Zero e Cine, um golpe de Estado para arrancar de Creonte o comando da cidade.

Ele pensou em quase tudo, só se esquecendo que Etéocles, seu irmão encrenqueiro, era o secretário de segurança de Tebas, e que, muito satisfeito com seu posto, defenderia o trono de Creonte até às dentadas, se preciso fosse.

E foi no dia do confronto entre o emoglobina Polinice e o encrenqueiro Etéocles, que Antígona, a intrépida Ravenguinha descabelada, chegou na cidade. Ela viu socos, tapas, pontapés, mordidas, escarradas, arranhões, puxões de cabelo, barrigadas, cabeçadas, chave de braço, chave de pescoço, chave de nariz, sangue... muito sangue...

Até ela levou uns tapas quando tentou separar a briga... Era uma gritaria só, até que depois de tanta luta-livre, os dois morreram de cansaço e perda de sangue.

Creonte, em sua sede de vingança, impediu que sepultassem o corpo de Polinice, primeiro pela sua traição, segundo, porque teria que mandar fazer um caixão super-hiper-mega-blaster-grande, pois o corpo era enorme, e terceiro porque seriam necessários muitos homens para carregá-lo. 

Creonte achou que era muito trabalho para um traidor e que ele seria muito mais útil como comida de urubu, condenando à morte todos aqueles que desrespeitassem o seu desejo.


No entanto, Ravenguinha, inconformada com a sorte de seu irmão emogloblina, procurou sua medrosa irmã, Ismene, no intuito de pedir-lhe ajuda para enterrar o irmão. Naquela época, não havia castigo pior do que deixar um corpo sem sepultura, pois a alma do presunto ficaria vagando por aí, sem rumo, sem destino e sem sossego.

Sabendo disso, Ravenguinha fez de tudo para enterrar Polinice, mas Creonte foi enfático em sua proibição, afirmando que mataria a própria sobrinha, caso ela tentasse desobedecer suas ordens. E então, para garantir a papinha da urubuzada, Creonte deixou vários sentinelas cuidando do corpo.

Mas era verão, aquele calorão e o cheirinho de podre foi pouco a pouco tomando conta do lugar. Os sentinelas, já com os estômagos revirados, resolveram se afastar um pouco do defunto a fim de respirar melhor, e foi nesse momento que Ravenguinha descabelada, de soslaio, começou a enterrar o corpo do irmão.

Quando os sentinelas voltaram, descobriram que alguém havia ousado jogar um pouco de terra sobre o presunto. Apavorados, rumaram ao palácio para informar o ocorrido a Creonte, que não gostou nada da notícia. Muito contrariado, o Rei mandou seus homens ficarem à espreita, para então pegarem o infrator em flagrante.

E foi assim mesmo que a coisa toda aconteceu. Ravenguinha, com seus cabelos de Ravengar ao vento, voltou e tentou jogar mais terra sobre o irmão. Ela sabia que precisaria de umas cinco caçambas de terra para terminar o serviço, mas era o seu dever... Ela estava lá, pá por pá tentando cobrir o enorme Polinice até que foi surpreendida pelos sentinelas, que satisfeitos a levaram pelos cabelos até Creonte.

Aí começou o confronto entre tio e sobrinha, um alegando a soberania de suas ordens e outro afirmando que as leis "não escritas", que as leis "sagradas" prevalecem sobre qualquer capricho de um rei vingativo. 

Foi um bate-boca daqueles... No fim, Creonte, já cansado da discussão, acabou condenando Ravenguinha à morte, tanto pela audácia quanto pela feiura. Uma de suas explicações para o decreto de morte de sua sobrinha foi a de que seu filho Hêmon, até então noivo de Ravenguinha, deveria encontrar uma mulher mais bonita e menos desbocada.

Hêmon, desesperado, implorou para o pai não matar seu grande amor. Ela podia ser feia, a cópia do Ravengar, mas para ele, ela era um pitelzinho... Apesar dos apelos do filho, Creonte, cego pela fúria, foi irredutível, confirmando a iminente morte de Antígona.

Ismene, a medrosa irmã de Ravenguinha, arrependida de não tê-la ajudado, pediu ao tio para compartilhar sua sorte, sendo as duas, mesmo contra os protestos de Antígona, levadas para a prisão.

A cidade ficou em polvorosa, todos preocupados com os últimos acontecimentos, e foi por isso que o cegueta Tirésias Mercado (Ligue Jiá), vidente charlatão (aquele mesmo que havia adivinhado que o Diponga iria matar o próprio pai e casar com a própria mãe), resolveu falar com o vingativo Creonte. Ele disse com seu portunhol enferrujado:

"Crionti, mi hijo, no puedes hacer eso, mi pressárrios dicem que debes libertar Rabengota e interrar Emoglobinus, o entonces desgracia similhante te ocurrirás. E ligue djá".

Creonte ficou possesso, a verdadeira looouuuca de bolsa, e expulsou Tirésias aos gritos do palácio: "Sai daquiiiiiii seu cegueta charlatão. Vai cantar em outra freguesia seu bobalhão!!!!!".

Tirésias Mercado quase deu de cara com a parede, pois era cego e não sabia muito bem o caminho da saída, mas por sorte conseguiu encontrar a porta do palácio antes de levar uns pontapés no traseiro, deixando para trás um Creonte irritado e temeroso.

Depois disso, o Rei de Tebas não conseguiu pensar em outra coisa: "Matar ou liberar Ravenginha, eis a questão!

Ele pensou, pensou, pensou... pensou mais um pouco e tomou uma decisão: ouvir as profecias do charlatão "Ligue jiá" e libertar sua entrépida e feiosa sobrinha.

Porém, quando ele tomou essa decisão já era tarde, Inês já era morta, ou melhor, Ravenguinha já era morta... Ela se enforcou na cela, e com ela, seu filho Hêmom, que depois de cuspir no rosto do pai, também se matou...

A desgraça chegou aos ouvidos de Eurídice, mulher de Creonte e mãe de Hêmom, que, desolada, suicidou-se de desgosto. Foi uma verdadeira carnificína...

Todos seus entes queridos haviam morrido, Creonte estava sozinho no trono por ser irredutível em suas decisões, afrontar os deuses e não dar ouvido à razão.

Ravenguinha, nossa intrépida heroína, mulher forte e decidida, ousou desafiar um homem, situação ímpensável naquela época. Morreu descabelada, acreditando ser vítima de um dever sagrado, o de prestar a última homenagem ao corpo de seu problemático irmão emoglobina, que morreu por sua ganância, mas nem por isso merecia vagar eternamente sem descanso, puxando o pé dos vivos por noites sem fim.

Todos se foram por um motivo, uns mais nobres do que os outros, mas não menos importante. Somente sobrou Creonte, que depois de tanta morte, entendeu seu erro, pena que tarde demais... Infelizmente, ele, depois de seu ataque de remorço (e de hemorróida), teve que aprender a ser justo do modo mais difícil...


Essa foi uma paródia bem humorada da obra Antígona de Sófocles - Mitologia Grega. 

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Guidão, O Melhor Pai do Universo !!!

Ontem, um amigão nosso perdeu um de seus entes mais queridos, seu maior exemplo, sua inspiração. Ontem, nosso amigo perdeu seu pai, Guidão, conhecido como "O Melhor Pai do Universo".

Não o conheci pessoalmente, mas tenho certeza que ele foi um homem que deixou sua marca nas pessoas que com ele conviveram, pois dele eu só conheço uma de suas obras, o resultado da educação de um filho de ótima índole e coração, casado com uma moça igualmente maravilhosa.

Sei que essa passagem é o curso natural da vida: os velhos partem antes dos novos, que logo se tornarão velhos e assim por diante. Sei que é natural, mas também sei que é dolorido e desesperador. Por que ele não podia ficar mais um pouquinho??? 

Imagino a dor de perder um pai, "O" pai. Guidão se foi em meio à luta desesperada contra uma doença silenciosa.

Nessa hora, nenhuma palavra servirá de consolo, mas espero que esse nosso grande amigo consiga, o mais rápido possível, lembrar de seu pai em seus grandes momentos, nas brincadeiras da infância, no jantar de domingo, contando aquela piada inesquecível, naquele abraço emocionado depois de meses separados pelo Atlântico, assistindo aquela incrível corrida no sofá de casa, daquele dia da belina, nas festas familiares, dele contando que o pelé fez dois gols no finalzinho do jogo contra o vasco, carregando o saco de pão, com os poucos e bons amigos contadores de causos, nas lições de vida, nos conselhos sábios, nos provérbios batidos, nas broncas merecidas, nos olhares amorosos.

Nosso eterno amigo, espero que você se lembre dele como um exemplo a ser seguido, um homem com falhas como todos nós, mas que lhe deu a vida e que lhe ensinou, de uma maneira ou de outra, a ser quem você é hoje.

Não lhe pedirei para deixar a tristeza de lado, pois isso é impossível, só lhe pedirei para trocá-la gradativamente por lembranças bonitas daquele homem que foi o seu pai, o melhor pai do Universo.

Um super beijo no coração.

Te adoramos!

Luiz e eu  

domingo, 7 de novembro de 2010

A intrépida Ravenguinha - parte #1

Era uma vez, uma destemida e amorosa garotinha de cabelos parecidos com o do Ravengar chamada Antígona. Ela era filha de Édipo, assassino incestuoso, e de sua própria avó, Jocasta, a fogosa rainha de Tebas.

Nascida numa família, no mínimo, conturbada, Antígona tinha tudo para ser uma jovem tresloucada, mas não, ela seguia contente e serelepe ao lado de seus três irmãos, Etéocles, Ismênia e Polinice.

É bem verdade que os irmãos às vezes se estapeavam, mas nada fora do normal, uma briguinha aqui pela barbie sem cabeça, outra ali pelo incêndio na casinha de bonecas, outra acolá pelo arremesso das rodas do caminhãozinho de brinquedo pela janela, algumas garfadas por causa de assaltos de batatas-fritas, mas nada sério, somente briguinhas fraternais.

Na adolescência, ela gostava de ouvir Luiz Caldas, Amado Batista, Beto Barbosa e Kaoma, usava mini-saia rodada laranja e centenas de pulseiras barulhentas nos pulsos. Quando ela andava, fazia um barulho parecido com o de uma vaquinha leiteira, tirilililó, tirilililó, tirilililó... Seu apelido era Ravenguinha.

O pai dela, Édipo (Diponga para os íntimos), após conseguir derrotar a monstruosa esfinge que assombrava a cidade de Tebas matando os forasteiros que não conseguiam responder aos seus ridículos enigmas, tornou-se Rei da cidade e ganhou de lambuja a mão da fogosa Jocasta, que, por acaso, era sua mãe. Muitos anos se passaram sem que ele soubesse que sua esposa era na verdade sua adorada mãezinha.

Ele não sabia de sua origem, pois foi abandonado quando criança. Tudo aconteceu pois quando ele nasceu, a família Labdácias foi assolada por uma terrível maldição: o bambino nascido deste casório mataria o próprio pai e desposaria a própria mãe.

Quem deu essa notícia ao serelepe casal foi o cegueta Tirésias Mercado (Ligue jiá), um vidente meio charlatão, mas que acertava vez ou outra.

Sabendo da desgraça anunciada, e não querendo correr o risco, Laio e Jocasta (guardem esses nomes) trataram de abandonar o pequeno Diponga bem longe, num lugar chamado Monte Citerão.

Pois bem, muitos anos se passaram, Diponga derrotou a esfinge, ganhou a mão de Jocásia, e tudo corria feliz. Ocorre que, enquanto esta parte de seu passado continuava oculta, o agora Rei Édipo (Diponga para os íntimos), praticava peripécias nupciais com sua assanhada Jocasta... os rebentos foram nascendo, chorando, crescendo... as coisas foram mudando, os antigos discos de vinil foram trocados por pequenos e brilhosos cds, vieram os cabelos brancos, aquela coisarada toda.

A vida ia muito bem até o dia em que a cidade foi assolada pela peste. Os súditos do reino estavam empestiados ao som de Raul Seixas, "Tá todo mundo louco, oba! Tá todo mundo, oba! Tube ri din din, din diiiiinnnn", era um horror, o verdadeiro caos!

O pai de Ravenguinha, homem que acreditava em espiritismo e ciências ocultas, pediu para seu cunhado, o sisudo Creonte, consultar o oráculo da cidade. Na volta, Creonte informou-lhe que para acabar com aquela "pestarama" toda, seria necessário encontrar e banir da cidade o assassino do antigo rei de Tebas, o bêbado Laio, que por ironia do destino (e bota ironia nisso), era o verdadeiro pai de Diponga, e que, mais ironicamente ainda (porque desgraça pouca é bobagem...), havia sido assassinado pelo próprio Diponga à bengaladas dias antes dele derrotar a esfinge enigmática de Tebas.

O problema todo era que o violento Diponga não sabia que aquele cara que ele havia matado por causa de uma cretina discussão futebolística acerca dos dons divinos do cacheado Valderrama no bar do Zé Bedeu era, na verdade, seu pai, o caçhaceiro Laio, antigo Rei de Tebas, que lá no começo da história o havia abandonado, junto com Jocásia, por causa daquela maldição de que o filho deles mataria o próprio pai e desposaria a própria mãe.

Então, para descobrir a identidade do assassino, Diponga mandou chamar o cegueta charlatão, Tirésias Mercado (Ligue jiá), que contou toda a verdade, revelando que ele tinha assassinado seu pai e que tirava casquinhas de sua mãe... (dessa vez ele acertou de novo). A Corte ficou alarmada e Diponga foi cozido em sua própria culpa.

No meio de todo esse escândalo, Jocasta, a rainha-socialite que vivia em destaque na mídia e que adorava passear no Castelo de Karras, não pôde suportar a humilhação de ser amante de seu próprio filho e suicidou-se enforcada com o cadarço verde fluorescente do tênis estilo emo de seu filho.

Diponga, ao ver sua mãe-esposa enforcada, furou seus próprios olhos com os colchetes bijoux do vestido da rainha socialite. Foi um pandemônio!

Os dois herdeiros, Eteócles (encrenqueiro de carteirinha) e Polinice (emo, obeso mórbido, dono do cadarço), expulsaram o pai da cidade, que triste, abatido, humilhado e cego, partiu para o exílio na zona leste de Atenas, guiado pela sósia do Ravengar, sua amada filha.

Ravenguinha acompanhou seu pai até seus últimos dias, quando, levado pela dengue, foi enterrado num caixão de papelão no cemitério do Araxá. Muito abatida e totalmente esquecida da existência de chapinhas e cremes domadores de cachos, Antígona voltou para Tebas e encontrou seus irmãos se estapeando pelo trono.

Não percam as cenas dos próximos capítulos...




terça-feira, 2 de novembro de 2010

Fausto - Tragédia em duas partes...

Johann Wolfgang von Goethe foi um dos mais brilhantes escritores alemães da história. Sua grande obra foi Fausto, escrita entre 1797 e 1831. Seu poema é baseado na lenda alemã protagonizada pelo médico, mago, astrólogo, alquimista e cientista Dr. Johannes Georg Faust, que, segundo contam, viveu ali pelo final do séc. XV, início do séc. XVI. 

A lendária figura do Dr. Fausto também faz parte de inúmeras obras literárias, entre elas A Vida de Fausto, de Maler Müller (1778), Vida, Feitos e Danação de Fausto, de F.M.Klinger (1791) e a peça Dr. Faust, de Christopher Marlowe (1589), 

A famosa obra de Goethe, por sua vez, retrata um homem desiludido e cansado da mediocridade de seu tempo, numa eterna busca pelo absoluto. Em meio ao seu descontentamento, Fausto resolve fazer um pacto com o demônio Mefistófeles, que antes de tentá-lo, já havia feito, no céu, uma aposta com Deus, que concedeu-lhe carta-branca para corromper o insatisfeito Fausto.

No pacto, feito por um contrato assinado com seu próprio sangue, Fausto negocia viver vinte e quatro anos da sua vida, o que lhe daria a oportunidade de superar os conhecimentos de seu tempo, em troca de, claro, sua alma (clichê, né? O diabo sempre quer a mesma coisa, o que será que ele faz com tanta alma, vende na farmácia?).

Pois bem, milhares de descobertas, aventuras e emoções são brilhantemente descritas nesta obra, que  passando pelo céu, pela terra e pela história européia, termina com o encontro de Fausto com o amor e sua luta para enganar o danado do diabo.

É aqui que a bebedeira teve início
Dentre as envolventes passagens da obra de Goethe, há um trecho em especial que pude vivenciar de forma mais vívida, com texturas, odores, sabores e um pouquinho de álcool, pois ninguém é de ferro e já aproveitei e entrei no clima... foi a passagem da bebedeira na Auerbachs Keller, em Leipzig/Alemanha:
"Taberna do Retiro d’Auerbach, em Leipsick. Porta, ao fundo, para a rua, entre duas janelas de peitos. Ao meio da casa, mesa grande, com pratos, talheres, garrafas e copos de estanho e vidro, tudo em confusão, e sem toalha. À roda da mesa, bancos. À esquerda o balcão, e mais uma armação de taberna. Por trás do balcão, uma cesta de ferramenta. Pendente do tecto, um grande lampião aceso"
Mefisto, Goethe e eu
Reza a lenda que o verdadeiro Dr. Fausto teria, dentro do Auerbachs Keller, rodado um enorme barril de vinho direcionando-o para a rua, feito que somente poderia ter sido realizado com a ajuda do diabo. Por conta desse fato, Goethe teria incluído em seu poema a homérica bebedeira no Auerbachs Keller.

Não sei se ele rodou o barril, mas posso garantir que o barril era grande mesmo e que o vinho de lá é mesmo espetacular, e olha que eu nem sou uma grande degustadora de vinhos...

Mas para aqueles que não gostam tanto de vinho, tem também a autêntica cerveja alemã, que segundo testemunhos legítimos, é uma delícia...

Mas mesmo com essa maravilhosa fama, decidi ficar só no vinho mesmo, pois sabem como é, né??? Misturar só dá ressaca...

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